LEMBRA DELE? Vitor, da roça ao Japão

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Ex-lateral-direito ostenta quatro títulos da Libertadores e não desgruda os olhos do São Paulo, clube do coração


Fabrício Costa

GLOBOESPORTE.COM, no Rio de Janeiro



Vítor foi campeão da Libertadores com as camisas de
Vasco, Cruzeiro e São Paulo


Claudemir Vitor Marques sonhava seguir os passos de Cafu. Além de
vislumbrar futuro promissor na lateral direita, o então garoto
de Mogi Guaçu (cidade do interior de São Paulo) utilizava a
persistência do capitão do Penta - que fez nove peneiras até ser
aprovado - como referência para vencer na vida. No entanto,
Vitor teve uma adolescência nada glamourosa. Diferentemente da
maioria dos jogadores de futebol que moram na mesma cidade dos
clubes que defendem, o filho da dona Rita Maria da Conceição
tinha que conciliar os treinos na Ponte Preta com o trabalho na
roça. Dali saia o dinheiro para pagar a passagem até Campinas.
Mais que isso, estava em jogo o sustento da família de sete
irmãos.


- Antes de ser o Vitor do São
Paulo
, campeão do mundo em cima do Barcelona no Japão,
trabalhei pesado na roça. Colhia algodão e batata numa fazenda
em Mogi Guaçu, minha cidade natal e onde moro no momento depois
de rodar o planeta. Apesar de ter sido revelado pelo Tricolor,
passei pelas categorias de base da Ponte Preta e do Guarani. E
como precisava ajudar no orçamento da minha família, treinava só
duas vezes por semana. Nos outros cinco dias, ficava livre da
viagem de 1h30m de ônibus, mas tinha que encher balaios de
alimentos de acordo com a colheita da vez - revela, aos 36 anos,
o ex-camisa 2 de São Paulo, Real Madrid, Corinthians,
Cruzeiro,
Vasco

e Botafogo.


Mil e uma utilidades


Aposentado desde meados do ano passado - quando
jogou a Segunda Divisão paulista pelo Inter de Limeira -, Vitor
atualmente é professor e coordenador de um projeto social na
cidade de Artur Nogueira - a 40 km de Mogi Guaçu. Além disso, o
ex-jogador cruza o país disputando amistosos pela seleção
brasileira de masters ao lado de Careca, Ronaldão, Andre Cruz
& Cia. Não dispensa convites para dar palestras em
escolinhas de futebol. E tem como objetivo reencontrar os
torcedores que um dia gritaram seu nome, para que o aplaudam de
novo só que em outra função.



- Não almejo ser treinador de futebol. Mas acho
que posso colaborar como auxiliar. Quando dizem que prefiro
bebida e pagode ao futebol, digo que sou casado há 12 anos com a
mesma mulher. Ou seja, tenho estrutura familiar para suportar a
pressão que é trabalhar nos grandes clubes - afirma.









Currículo recheado de títulos


Tetracampeão da Libertadores (92, 93 -assista ao vídeo ao
lado
-, 97, 98), bi da Copa do Brasil (95 e 96), bi
Paulista (91 e 95) e vencedor do Mundial de Clubes pelo São
Paulo em 92, Vitor garante que não conseguiu "ganhar tanto
dinheiro quanto as pessoas imaginam no futebol". Pelo
contrário, passou por dificuldades financeiras assim que deixou
o Botafogo em 2000 e nunca mais conseguiu emplacar em um time
grande.



- Não dava para manter o padrão de vida que estava
acostumado no auge da carreira. Tive que vender apartamentos,
carros e uma chácara em Mogi Guaçu. Não podia adivinhar que ia
ter uma artrite no joelho esquerdo e todo clube grande que
fizesse uma ressonância magnética em mim não iria me contratar
por causa disso. Em todo caso, sou orgulhoso de oferecer algumas
mordomias aos meus filhos (Patrick, de 11 anos, e Pamela, de 8),
embora meu pai, com problemas mentais, não tenha podido sequer
me levar aos treinos, na época das categorias de base. Por isso
também, costumo dizer que o Telê Santana foi meu paizão no
futebol - lembra o ex-lateral-direito, que passou por duas
cirurgias no joelho esquerdo (uma delas de reconstrução da
cartilagem), mas não conseguiu escapar das dores.





Coração tricolor





Zagueiro comemora um dos gols na decisão da
Libertadores de 1993, no Morumbi

Torcedor fervoroso do São Paulo, Vitor faz questão de acompanhar
pela televisão todos os jogos do Tricolor Paulista. Apesar da
distância de 166 km de Mogi Guaçu para a capital paulista, o
coração do ex-jogador anda lado a lado com o clube do Morumbi.
Se a contratação de Adriano era questionada quando o atacante
saiu do Inter de Milão, Vitor garante que a negociação se
transformou em uma surpresa mais do que agradável.


- O Adriano faz diferença no São Paulo. Ele é a
referência do time. Demonstra segurança lá na frente e ao mesmo
tempo passa confiança para quem está do lado de fora - avalia.


Decisão para ser esquecida


Em mais de 15 anos de carreira, Vitor só lamenta o
fato de ter disputado a final do Mundial de Clubes pelo Vasco,
em 98, com dores no joelho esquerdo. E por isso acredita que não
rendeu o esperado num dos jogos mais importantes da história do
Clube da Colina.


- Queria ter vencido aquela decisão contra o Real
Madrid. Mas nossa vida não é feita só de vitórias. Dei o máximo
de mim no Japão. Fiz tratamento o tempo todo, só que as dores no
joelho foram mais fortes do que eu poderia suportar - admite o
ex-lateral-direito, que também defendeu o Real Madrid (93). Por
ironia do destino, contratado no lugar de seu grande ídolo Cafu.


digulgação/Arquivo Pessoal
Ao lado de Dida, Vítor foi campeão da Libertadores de
1997 pelo Cruzeiro, no Mineirão

2 comentários Eternos:

Carlão Azul disse...

Amigo Magno, por favor se possível troque meus banner's que fiz uma alteração.

Abração

Saudações Celestes
SITE/BLOG.....CRUZEIRO: O MAIOR DE MINAS
Notícias , fatos e fotos do Cruzeiro
Cruzeiro Vice-Líder
ENTREM E SINTAM-SE A VONTADE

Carlão Azul disse...

Obrigado amigo pela pronta troca dos banner's.

Quanto ao post, boa lembrança do Vítor, eu já tinha me esquecido mesmo dele.

Sds. Celestes.

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